Batman: O Longo Dia das Bruxas

“Eu acredito em Gotham.” “Eu acredito em Harvey Dent.” “Eu acredito em Jim Gordon.” “Eu acredito no Batman.” Por vários momentos, essas declarações são feitas com fervor. Acreditar e ter fé em seus amigos e família é algo em que “Batman: O longo Dia das Bruxas” aborda bem, testando a fé e a lealdade dos personagens. O material tem um clima noir que contém as emoções e ação necessárias para o gênero, o que é bem comum nos trabalhos de Jeph Loeb e Tim Sale.

Batman: O Longo Dia das Bruxas
O roteirista Loeb e o artista Sale (com as cores de Gregory Wright) criaram um conto que é imenso e que opera com várias reviravoltas e turnos (algumas vezes as coisas se acalmam, mas aí temos momentos intensos psicologicamente) que mantém o leitor cativo e tentando adivinhar o que irá acontecer em seguida. Chefes do Crime, residentes do Asilo Arkham e o triunvirato do Batman (formado pelo herói junto de James Gordon e Harvey Dent) colidem em um conto épico que possui grandes repercussões em cada personagem. A história, arte e cores se unem para contar uma das melhores histórias do Morcego.

HQ DC BatmanCarmine Falcone e Vincent Maroni são dois chefes de famílias italianas criminosas (como em “O Poderoso Chefão” que dominam Gotham. Durante uma noite de Halloween, o sobrinho de Falcone é assassinado em sua banheira, o que leva Batman, Gordon e Dent em uma missão para descobrir quem é o assassino. Depois do primeiro assassinato, mais homicídios relacionados às famílias acontecem em diferentes feriados, fazendo com que o assassino receba o nome de “Feriado”. Intriga e mistério percorrem a trama. A lealdade de vários personagens é testada e, muitas vezes, falha durante a história. Enquanto as famílias procuram pela identidade do Feriado, os vilões do Batman aparecem durante cada edição.  Cada pequeno arco e cada personagem são cruciais para o conto, Loeb não joga vilões na história apenas por diversão. Todos possuem seu lugar e seu papel na narrativa, que chegará a uma conclusão que irá surpreender o leitor. A história é movida de uma forma que qualquer um e todos, possivelmente, fazem parte das maquinações do roteiro.

“Batman: O Longo Dia das Bruxas” tem um estilo e humor único. Loeb deu um ótimo toque “Noir” na história, temos o detetive Bruce Wayne narrando a história, o leitor consegue entrar na mente do Morcego. Loeb já fez isso em outros materiais, mas é sempre interessante ver como ele tem o dom para expressar o que se passa na mente do personagem. O cenário urbano, com um tom bem sombrio, faz com que a história seja ainda mais encantadora. Apesar disso, temos raros toques de humor que são jogados em certas cenas de forma bastante inteligente. A Graphic Novel tem um drama bem compassado. Claro que os exageros existem, mas são bem dosados, fica óbvio o domínio de grandes painéis que ajudam nessa área. Batalhas entre o Morcego e seus inimigos são seguidos por momentos de quietude recheados de emoção. Temos até femme fatales na história (e não estou falando da Mulher-Gato e da Hera Venenosa). Esta história é cheia de camadas, logo, você deve ler mais de uma vez para apreciar a riqueza da história, o mistério, o desenvolvimento dos personagens e, claro, a arte.

Batman

Conexão é um tema que mora no coração da história de Loeb e Sale, não apenas falando da conexão sanguínea. Na primeira edição, a relação entre Batman, Gordon e Dent é feita em uma cena brilhante. quANDO O Batman aparece, as cores de Wright conseguem dar mais destaque ao Batman, que é colocado em uma posição de autoridade (com braços cruzados) na frente de dois homens da lei. Gordon insiste que os personagens podem até desviar das leis, mas nunca quebrá-las. Dent concorda e então dá ao Batman  then gives Batman um olhar suspeito. O triunvirato é formado quando o Morcego expressa que concorda com a parceria, o pacto é formado para vencer os inimigos da cidade mais corrupta dos quadrinhos. No fim do painel, vemos os rostos dos 3 personagens, com Batman no meio. Apesar de Bruce Wayne ser relativamente novo no trabalho do Batman (na história), ele já mostra a força, desejo e coragem para trazer justiça. O leitor acredita nos personagens, da mesma forma como eles acreditam um nos outros.

Os encontros de Batman e Mulher-Gato (assim como os de Bruce Wayne e Selina Kyle) são recheados de tensão com uma fé crescente entre os dois. A conexão é feita com hesitação e segredos que vão se revelando entre eles. Antes de enfrentarem dois vilões que se unem para um plano nefasto, Bruce e Selina estão na Mansão Wayne aproveitando a noite juntos (e eles não sabem de suas identidades secretas). Selina oferece a Bruce a oportunidade de fugir da cidade. Eles se abraçam, ela olha para o leitor e Bruce olha para o sinal do Morcego nos céus. Bruce ainda pensa “O que me prende aqui?”. Loeb e Sale respondem bem a pergunta: nada. Mesmo com a possibilidade de uma vida normal na frente dele, Bruce tem a missão de vencer a escória que causou a morte de seus pais. Assim como qualquer outro herói Noir, Bruce sofre um conflito, uma batalha entre a luz e as sombras.

Pouco tempo depois da cena, após vencerem os inimigos, a Mulher-Gato sugere ao Batman que eles devem deixar essa vida e começar uma nova. Mais uma vez, a arte de Sale expressa a emoção em seus personagens. Batman olha para o outro lado, sugerindo uma tristeza na sua recusa de deixar a vida de combate ao crime. As palavras de Loeb, naturalmente, trazem mais profundidade para a cena quando a Mulher-Gato diz:  “Azar o seu” e Batman responde: “Não. É o preço da independência” (o título da história é “Dia da Independência”). O Espantalho e o Chapeleiro Maluco usam as palavras “medo” e “loucura”, refletindo as duas coisas que assombram e provocam a psiquê de Bruce Wayne.

O livro também traz tragégia, com as numerosas mortes que acontecem por causa do assassino Feriado e a “morte” de certos relacionamentos. A palavra “família” não é apenas relacionada às famílias do crime (ainda que esta seja a pedra angular do roteiro), mas também com as famílias que se desfizeram. Bruce Wayne é afetado pela toxina do Espantalho no “Dia das Mães”, fazendo com que ele reviva o horror. A toxina faz com que Bruce pense que a polícia que o persegue seja o ladrão que matou seus pais. Em um determinado painel, vemos Bruce indo ao Beco do Crime, ele está cheio de culpa, pensando que se ele não tivesse pedido para sua mãe usar as pérolas, seus pais ainda estariam vivos. Loeb usa o monólogo de Bruce para mostrar o seu talento como um contador de histórias.

Em uma cena posterior, Bruce está abraçando o túmulo da mãe com sua boca aberta em agonia, com lágrimas brotando de seus olhos fechados. Esta cena, entre várias outras, mostra a habilidade de Sale e Wright para expressar humor e moção. O brilho do túmulo de Martha Wayne e a Lua aparecendo atrás de nuvens escrutas é o contraste que faz com que o painel seja inesquecível. A arte deste quadro é cheia de pequenos toques de gênio, que fazem com que a história mereça o status de grandeza que ela possui.

Quer conhecer uma ferramenta que ti dará muito Dinheiro!

Design Canvas - Básico ao Avançado

“Batman: O Longo Dia das Bruxas” tem uma natureza épica que traz um conto pessoal e cheio de tragédia. Jeph Loeb e Tim Sale focam no personagem, mostrando que uma história melodramática pode ser contada com humanidade e beleza. Não temos nada bombástico aqui, mas temos ótimos personagens, intrigas e bom entretenimento. Com um jeito de filme, a arte de Sale e as cores Gregory Wright trazem o guia perfeito para qualquer tipo de adaptação da história para outras mídias. Loeb, Sale e Wright criaram uma obra-prima que só enriquece a galeria de grandes clássicos do Batman.


Baixar HQ: Batman: O Longo Dia das Bruxas


Clique e veja nosso canal: Hora HQ

Fonte

https://ovicio.com.br/review-batman-o-longo-dia-das-bruxas/

Comentários